O curso tem como objetivo discutir temas e questões teóricas da antropologia,com ênfase na relação do antropólogo com o “campo” e a narrativa produzida sobre o mesmo. Contar uma história sobre o grupo estudado, traduzir para a comunidade acadêmica a observação empírica, fazem parte de uma construção teórica a partir de um campo conceptual particular à disciplina,ou é parte de um modo também particular aquele antropólogo que faz um texto sobre o objeto? O relato etnográfico tem sido historicamente marcado por outras formas de linguagens, registros que não se restringem ao texto escrito, como aqueles textos produzidos pela fotografia e pelo cinema. A linguagem imagética seria uma forma complementar à descrição de culturas, permitindo uma tradução etnográfica mais rica como querem alguns antropólogos? Ou também seria um modo específico antropológico de produção de imagens, diferenciado de uma maneira de produzir imagens documentais ou ficcionais presente no ofício dos fotógrafos e cineastas? O desdobramento desse “diálogo” entre a antropologia e a fotografia e o cinema tem apontado para além do surgimento de novos métodos, ou seja, para a constituição de uma nova disciplina que é a antropologia visual.

Novos e velhos problemas: descrição e linguagem etnográfica.

a) A visão do outro. A comunicação entre diferentes.

Tzvetan Todorov. A Conquista da América.Martins Fontes. 1987.

b) A tradução e narrativa etnográfica.

Clifford Geertz . El antropólogo como autor.Barcelona, Paidós Studio, 1989. (“Estar Alli. La antropologia y la escena dela escritura.”; “El mundo en um texto. como ler ‘Tristes tropicos’”; “Estar aqui. De qué vida se trata al fin y al cabo?”)

Clifford Geertz. “Sur l’Histoire sociale de l’Imagination Morale”. in: C. Geertz, Savoir Local,Savoir Global. Les lieux du Savoir. (Original em Inglês: Local knowledge: Further Essays in Interpretative Anthropology)

Paul Bohanan.. “Etnografia e Comparação em Antropologia”. in: Shelton Davis (org.). Antropologia do Direito: estudo comparativo de categorias de dívida e contrato. Rio de Janeiro, Zahar Editores, 1973.

Problematizando a descrição etnográfica.

a)Revisistando a etnografia:

James Clifford. “Introduction: partial Truths” & “On Ethnographic Allegory”.in:James Clifford and George Marcus (eds.) Writing Culture. The Poetics and Politics of Ethonography. University of California Press, 1986.

Mary Louise Pratt. “Fieldwork in Common Places”. in:James Clifford and George Marcus (eds.) Writing Culture. The Poetics and Politics of Ethonography. University of California Press, 1986.

George E. Marcus. “Contemporary Problems for Ethnography in the Modern world System”in: James Clifford and George Marcus (eds.)Wrting Culture. The Poetics and Politics of Ethonography. University of California Press, 1986.

Michael M.J. Fischer. “Ethnicity and the Post-modern Arts of Memory”. in:James Clifford and George Marcus (eds.) Writing Culture. The Poetics and Politics of Ethonography. University of California Press, 1986.

George E. Marcus. “Afterword Ethnographic writing and Anthropological Careers”. in:James Clifford and George Marcus (eds.) Writing Culture. The Poetics and Politics of Ethonography. University of California Press, 1986.

Renato Rosaldo. “From the Door of His Tent: The Fieldwork and the Inquisitor” in:James Clifford and George Marcus (eds.) Writing Culture. The Poetics and Politics of Ethonography. University of California Press, 1986.

b) O Trabalho de Campo; algumas questões

George W. Stocking Jr. “The Ethnographer’s Magic: Fieldwork in Bristish Anthropology from Tylor to Malinowski”. in:George W. Stocking Jr (ed.). Observers Observed. Essays on Ethnographic Fieldwork. History of Anthropology. The University of Wisconsin Press. 1983. vol. I.

Curt Hinsley. “Ethnographers Charisma and Scientific Routine: Cushing and Fewkes in American Soutwest, 1879-1893”. in: George W. Stocking Jr (ed.). Observers Observed. Essays on Ethnographic Fieldwork. History of Anthropology. The University of Wisconsin Press. 1983. vol. I.

O narrador, um contador de histórias

Walter Benjamin. “Experiência e Pobreza”e “O narrador. Considerações sobre a obra de Nikolai Leskov.”in Walter Benjamin. Obras escolhidas. Editora Brasiliense.

Memória Coletiva, Memória Individual e Memória Histórica

Maurice Halbwachs. “Memória Coletiva e Memória histórica”, “Memória Coletiva e Memória Individual”. in: A Memória Coletiva. Rio de Janeiro, Vértice, 1990.

Pierre Bourdieu. “Le Mort Saisit le Vif”. Actes de la Recherche en Sciences Sociales. no. 32/33. Avril/Juin. 1980. (Existe tradução em português no livro O Poder Simbólico).

Pierre Bourdieu. “A Ilusão Bilbiográfica”. in:Ferreira, M. e Amado, J. (orgs.) Usos e Abusos da História Oral. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas Editora, 1996.

Alessandro Portelli. “O massacre de Civitella Val di Chianna (Toscana, 29 de junho de1944): mito e política, luto e senso comum”. in: Ferreira, M. e Amado, J. (orgs.) Usos e Abusos da História Oral. Rio de Janeiro, Fundação Getúlio Vargas Editora, 1996.

O Uso da Imagem em Antropologia

a) Um pouco de história

“Margaret Mead and Gregory Bateson on the Use of the Camera in Anthropology”. Studies in The Anthropology of Viual Communication.

Margaret Mead. “Visual Anthropology in a Discipline of Words”.

b) O Uso da Fotografia na Antropologia

Howard Becker. “Balinese Character: Uma análise Fotográfica – Gregory Bateson e Margaret Mead” e “Explorando a sociedade fotograficamente”

Cristopher Pinney. “A História Paralela da Antropologia e Fotografia”

Cristopher Phillips. “A Fotografia dos Anos Vinte: A Exploração de um Novo Campo Urbano”

Elizabeth Edwards. “A Antropologia e Fotografia”. Cadernos de Antropologia e Imagem, n. 2, UERJ.1996.

Eienne Salmain. “ ‘Ver’ e ‘Dizer’ na Tradição antropológica: Bronislaw Malinowski e a Fotografia”. in: Horizontes Antropológicos: Antropologia Visual. UFRGS, 1995.

c) O Filme Etnográfico em Questão

Pierre Jordan. “Primeiros Contatos, Primeiros Olhares”

Marc Piaul. “A Antropologia e sua ‘Pasagem à Imagem’”.

Karl G. Heider. “Uma História do Filme Etnográfico (1955-1985).

Jean-Paul Colleyn. “Entrevista: Jean Rouch, 54 anos sem Tripé”. Cadernos de Antropologia e Imagem. n. 1. UERJ. 1995.

Jean Rouch. “África, Áfricas, uma Restrospectiva Potlach. O Dito Cinema Africano”. in: 3a. Mostra Internacional de Filme Etnográfico. Catálogo. 1996.

d) A etnografia da câmera

Nichols Nichols. “Ethonograher’s Tale”. Visual Anthropology Review. volume 7, number 2. Fall, 1991.

John Collier Jr. “Photography and Visual Anthropology”. in: Paul Hockingi (ed.). Principles of Visual Anthropology. New York, Mouton de Gruyter, 1995.

Jean Collier. “The Camera and Man”

George Marcus. “The Modernist Sensibility in Recent Ethnographic Writing and Cinematic” e “Metaphor of Montage”. in: Lucien Taylor (ed.) Visualising Theory. Selected Essays From V.A.R. 1990-1994.

Faye Ginsburg. “Ethnographies on the Airwaves: The Presentation of Anthropology on American, British, Belgian and Japonese Television” in: Paul Hockings (ed.). Principles Visual Anthropology. New York, Mouton de Gruyter, 1995.

Antropologia Visual no Brasil.

a) Um debate: O que é um filme etnográfico?

Clarice Peixoto. “A Antropologia visual no Brasil”

Patrícia Monte-Mor. “Descrevendo Culturas: etnografia e cinema no Brasil”. Cadernos de Antropologia e Imagem , no. 1, UERJ, 1995.

b) Fotografia, Vídeo e Trabalho de Campo.

Dominique Gallois e Vincent Carelli. “Vídeo e diálogo Cultural – experiência do Projeto Vídeo nas Aldeias”

Claudia Turra Magni. “O Uso da Fotografia na Pesquisa sobre Habitantes de Rua”.

Claudia Fonseca. “A Noética do Vídeo Etnográfico”. Horizontes Antropológicos , no. 2, Antropologia Visual.