Na concepção das sociedades clássicas greco-romanas, a juventude se referia a uma idade entre os 22 e os 40 anos. Juvenis vem de aeoum, cujo significado etimológico é “aquele que está em plena força da idade”. Naquela cultura, a deusa grega Juventa era evocada justamente nas cerimônias do dia em que os mancebos (adolescentes) trocavam a roupa simples pela toga, tornando-se cidadãos de pleno direito.

Hoje, de acordo com a maioria dos organismos internacionais, considera-se como jovem a faixa de 15 a 24 anos. No entanto, outras idades já são propostas em abordagens acadêmicas, na dinâmica da vida política e na mídia. Com estas idades oscilantes, convivem contraditórias imagens e expectativas: juventude perigosa, juventude como lugar da esperança, juventude como o paradigma do desejável, entre outras. Através da contribuição de diferentes autores, buscaremos apreender arbitrários culturais e regras socialmente construídas que determinam em que momento e através de quais rituais de passagem se muda de uma fase da vida para outra. Neste sentido, as representações e imagens da juventude revelam-na tanto como “problema social” quanto como projeção societária de futuro.

O curso se propõe a analisar a categoria “juventude” como objeto de estudo de diferentes correntes das Ciências Sociais e como tema de pesquisa da antropologia. Seu objetivo é oferecer um panorama da trajetória da categoria “juventude” considerando construções culturais, momentos históricos e diferentes dimensões temáticas.

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